segunda-feira, 15 de abril de 2013

COMPORTAMENTO ANORMAL EM BOVINOS


BOA DIA GALERA!

Devido a correria da finalização do meu mestrado passei um tempinho sem postar no blog, mas confesso que já estava com saudade =D
Hoje trago um tema bastante interessante quando se fala de bem-estar de vacas leiteiras: Comportamento Anormal

Espero que gostem

Abraço


Os bovinos podem apresentar uma variedade de comportamentos que são frequentemente considerados anormais As definições do termo anormal utilizadas para descrever esse comportamento são diversas (comportamentos raros ou incomuns, ou comportamentos não naturais, por exemplo). Porém em muitos casos a definição de comportamento anormal se deve ao fato de que a função desse comportamento não é clara para o observador e essa definição é mais um reconhecimento de que nós não entendemos tais comportamentos,  do que uma propriedade do próprio comportamento (RUSHEN et al., 2008).

O comportamento esteriotipado é classificado como um dos tipos de comportamento anormal (FRASER, 2012). Segundo Mason (2006) estereotipias podem ser definidas como comportamentos repetitivos, invariantes e sem uma função ou objetivo óbvio. Segundo o autor os animais que apresentam tais comportamentos geralmente o fazem por muito mais tempo que o comum e normalmente previsivelmente no mesmo local ou hora do dia, além de parecer ter dificuldade de parar, sendo como uma compulsão. 
        
   Rolar a língua tanto fora quanto dentro da boca é o comportamento estereotipado, mais comum em vacas leiteiras. Geralmente esse comportamento ocorre concomitantemente com morder as barras e lamber partes do curral ou baia, como barras e correntes (RUSHEN et al., 2008). 

Estudos indicam que o hábito de rolar a língua é muito mais comuns entre vacas que são mantidas amarradas, como no tie stall, por exemplo, do que aquelas mantidas e pastagem ou em sistemas de baias coletivas, onde esse comportamento é praticamente ausente (REDBO, 1990;1992;1993). Sugeriu-se então, que a contenção gerava esse comportamento. No entanto, como esse comportamento tende a suceder ou preceder o comportamento de busca de alimento, sugeriu-se que a motivação para alimentação seguida de busca frustrada por alimento seja uma das causas (REDBO, 1990;1992). Segundo Redbo (1992) o fato dos animais serem mantidos amarrados pode aumentar a incidência desse comportamento já que o tempo gasto manipulando a comida fica reduzido. 

Apesar da ampla utilização do comportamento estereotipado para se avaliar o bem-estar animal, não existem evidências que ele esteja diretamente associado com bem-estar pobre de caso de vacas leiteiras e também outras espécies (MASON; LATHAM, 2004). De fato, em alguns casos os comportamentos anormais podem ajudar os animais. Por exemplo, Wiepkema et al. (1987) monitoraram o comportamento de rolar a língua em bezerros vitelos examinaram os estômagos dos animais após abate com 22 semanas de idade e concluíram que os bezerros que não apresentavam úlceras apresentavam rolar de língua persistente e aqueles que apresentavam mais úlceras eram aqueles que apresentavam pouco esse comportamento. Portanto, ambientes que induzem ou aumentam comportamentos anormais são frequentemente piores que os que não os causam, mas quando mantidos em tais ambientes, os animais que apresentam mais comportamentos estereotipados podem estar menos predispostos a doenças e consequentemente menor comprometimento do bem-estar (MASON; LATHAM, 2004).

Pode-se concluir, portanto, que apesar da ampa utilização dos comportamentos anormais na avaliação do bem-estar de vacas leiteiras tais comportamentos necessitam ser investigados mais amplamente a fim de se entender sua interação com o ambiente e também com o conforto e bem-estar dos animais.
      
No entanto se um sistema apresentar grande número de vacas com estereotipias, como rolar a língua, por exemplo, observações quanto a sua configuração e manejo devem ser feitas, provavelmente algo não está correto e as vacas estão mostrando isso através do seu comportamento.  




Disponível em: http://uglyoverload.blogspot.com.br/2009_04_01_archive.html





REFERÊNCIAS:

FRASER, D. Compreendendo o Bem-Estar Animal – A ciência no seu contexto cultural. tradução de Fregonesi, J.A. – Londrina: Eduel, 2012., 436 p.

MASON, G., LATHAM, N. R. Can‘t stop, won‘t stop: Is the stereotypy a reliable animal welfare indicator? Animal Welfare, v.13, p. s57-s69, 2004.

MASON, G. Stereotypic Anima Behaviour: Fundamentals and Applications to Welfare. 2 ed. Londres: CABI, 2006, 367 p.

REDBO, I. Changes in duration and frequency of steriotypies and their adjoin behaviours in heifers, before, during and after the grazing period. Applied Animal Behaviour Science, v. 26, p.57-67, 1990. 

REDBO, I. The influence of restraint on the occurrence of oral stereotypies in dairy cows. Applied Animal Behaviour Science, v.35, p. 115-123, 1992. 

REDBO, I. Steriotypies and cortisol secretion in heifers subjected to tethering. Applied Animal Behaviour Science, v.38, p. 213-225, 1993.

RUSHEN, J.; DE PASSILÉ, A. M.; VON KEYSERLINGK, M. A. G.; WEARY, D. M.The welfare of cattle. Holanda: Springer, 2008. v.5. 310p. 2008.

WIEPKEMA, P.; VAN HELLEMOND, K.; ROESSINGH, P.; ROMBERG, H. Behavior and abomasal damage in individual veal calves. Applied Animal Behavior Science, v.18, p. 257-268, 1987d

quarta-feira, 13 de março de 2013

A PESQUISA...


A produção de leite, como atividade econômica alternativa para os assentamentos, foi estimulada pelas indústrias de laticínios a partir de 1997, e desde então essa atividade se torna cada vez mais presente nessas áreas (EMBRAPA, 2008).

No entanto, como os produtores de leite das áreas de assentamento são caracterizados como produtores individualizados, com baixa produção de seus rebanhos e, do ponto de vista financeiro, com recursos insuficientes para tecnificação, normalmente eles enfrentam grandes problemas para se adequarem as legislações e também para produzir leite de forma competitiva ao mercado.

É bastante comum que esse produtores se juntem, por meio de tanques comunitários para conseguirem maior competitividade através da entrega de maior volume de leite, porém sem uma assistência técnica eficiente é muito difícil alcançar uma boa rentabilidade nas propriedades, devido a falhas de manejo e consequentemente a baixa produção por animal.

No trabalho com extensão rural o maior objetivo, acredito eu, é levar a pesquisa ao campo a fim de garantir melhorias na produção. Na bovinocultura leiteira esse trabalho é de extrema importância já que muitos produtores não tem acesso aos resultados mais recentes das pesquisas realizadas aqui no Brasil e lá fora também.

O fato da grande maioria das publicações, mesmo nacionais, estarem publicadas em inglês é uma das dificuldades, porém essa é a menor delas já que uma grande parte dos produtores de leite também não utilizam nem a internet...  muito menos um computador...Aqueles que trabalham no campo sabem que é bastante comum as anotações em caderninhos, nos projetos em que trabalhei era comum afixarmos quadros para que os produtores fizessem suas anotações.

Quando falamos de pesquisas sobre o bem-estar de vacas leiteiras, ainda temos mais um agravante, muitos dos resultados da pesquisa internacional não se encaixam a realidade desses pequenos produtores e atualmente a pesquisa aqui no Brasil também não é suficiente para dar suporte aos mesmos.

O desenvolvimento de pesquisas publicáveis e aplicáveis a esse tipo de produtor é de extrema importância para que haja algum avanço em questões de bem-estar e também de produção animal de tais áreas e encontrar uma forma de tornar tais resultados facilmente disponíveis seria o maior desafio da pesquisa na atualidade.

Atualmente 80% dos produtores brasileiros são pequenos e respondem por apenas 26% do volume produzido, enquanto 20% dos produtores são classificados como grandes e respondem por 74% da produção (EMBRAPA, 2011). No entanto esses pequenos produtores tem um grande potencial, muitas vezes pouco explorado, e na minha opinião enquadrar a pesquisa a essa realidade pode levar grandes avanços ao campo, trazendo melhor qualidade de vida aos animais além de melhorar a qualidade de vida do produtor através do aumento da rentabilidade das propriedades.










TENHAM UM ÓTIMO DIA! 
=D



















terça-feira, 12 de março de 2013

Dica de leitura


Oi galera do blog!

Hoje queria deixar uma dica de leitura... sempre que leio algum livro interessante gosto de postar aqui no blog, e esse eu recomendo! =D

Quem se interessa sobre projetos de extensão em assentamentos vai gostar muito da forma como esse livro aborda as questões da produção com qualidade nessas áreas.

O nome do livro é:

PRODUÇÃO DE LEITE COM QUALIDADE EM PROJETO DE ASSENTAMENTO: A intervenção como inovação. 
Escrito em 2008 pela EMBRAPA GADO DE LEITE - Juiz de Fora/MG



Tenham uma ótima tarde!

quarta-feira, 6 de março de 2013

E AGORA?!

Hoje o assunto vai fugir um pouco do tema do blog. Na verdade queria compartilhar o meu sentimento ( e tenho certeza ser o de vários colegas também) quanto ao término de mais uma etapa na vida: o MESTRADO.

Começamos nossa graduação como médicos veterinários, zootecnistas ou agrônomos bem cedo,  por volta dos 18 anos, na maioria das vezes. O curso normalmente dura 5 anos, e são 5 anos puxados onde temos que escolher em que área trabalhar, qual estágio fazer e ao mesmo tempo dar conta das disciplinas e passar de ano. E além de tudo isso, lidar com a distância da família em muitos casos.

Porém quando chegamos ao fim desse período de estudo vem aquela fase do:
O QUE EU FAÇO AGORA!!!!

Acredito não ter sido a única que se formou e não se sentia pronta para enfrentar os desafios da profissão...

Mesmo assim essa é a hora em que começamos a batalhar por um espaço no tão sonhado mercado de trabalho. Mas como vencer essa batalha se a maioria das vagas exige experiência e as que não exigem querem pagar preços muito baixos pelo seu serviço?

Lembro certa vez de comparecer a uma entrevista de trabalho e escutar a seguinte frase:
Seu perfil é compatível com a vaga mas dentre os candidatos você é a única sem experiência, portanto você está fora do processo seletivo.

Sai daquela entrevista arrasada...

Onde é que compramos essa tal experiência!?

Se as empresas não estão interessadas em ensinar (alguém com potencial, lógico!) como é que fazemos para adquiri-la.

Quando nos vemos nessa batalha descobrimos então que pode ser um pouco mais complicado do que pensamos fazer o que se gosta!

É ai que muitos profissionais resolvem subir mais um degrau na profissão e tentar o Mestrado, na esperança de que a melhoria no currículo vai ajudar a conquistar melhores vagas.

Mas então, depois de 2 anos árduos de estudos e experimentos, vejo vários colegas naquela mesma situação da graduação: O QUE EU FAÇO AGORA!!!!


Quando se termina o mestrado você tem 2 opções: ou você se lança no doutorado ou você tenta conseguir um emprego.


No entanto a maioria das vagas de emprego hoje, não querem pagar mais por que você tem um mestrado.
Algumas (muitas) vezes não se é dado o devido valor ao seu esforço em conseguir um currículo melhor. O que ainda vale é a EXPERIÊNCIA!!!!

Agora me diga uma coisa: Aguentar o batidão de um mestrado não é adquirir experiência?!

Todos os que já passaram por esse tal de Mestrado vão entender exatamente o que estou falando.
A visão de que pessoas que fazem Mestrado SÓ ESTUDAM com certeza cercam todos aqueles que estão nesse barco.
Quando na verdade, não é bem essa a realidade! Se batalha duro para conseguir esse título.
Dependemos de bolsa para viver nessa fase e ainda esses anos não contam como período para aposentadoria, ou seja, sacrificamos alguns anos a mais na hora de nos aposentar em prol de um currículo melhor.

Fazer um Mestrado é uma experiência única e valiosa! É um período onde aprendemos lidar com dificuldades, superar obstáculos e muitas vezes enfrentar nossos medos.

Para aqueles que como eu estão naquela fase do: O QUE EU FAÇO DEPOIS DO MESTRADO, eu diria
Pensem bem antes de tomar o próximo passo.

Se sua vocação é a pesquisa, docência ou cargos concursados a melhor opção talvez seja o Doutorado

Mas se o seu objetivo é a área comercial, cuidado!
O mercado pode não estar preparado para pagar por um currículo tão bom quanto o teu.

Eu tenho muita vontade de fazer o Doutorado... Sempre quis trabalhar como docente em uma instituição de ensino, nesse momento não foi possível prestá-lo... acho que preciso de um tempinho para me preparar melhor para essa fase. Mas com certeza o título de Doutor faz parte da minha "wish list" (lista de desejos) =D

A mensagem que queria deixar a todos os colegas na mesma situação que eu é que vocês pensem e analisem quais são os seus reais objetivos antes de fazer suas escolhas.

E para as empresas eu queria dizer que está na hora de dar mais chances para aqueles que tem vontade para mostrarem o seu melhor!

Nós não só estudamos nós crescemos e tomamos maior consciência sobre a nossa profissão.




Abraço a todos

Tenham uma ótima noite

=D



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O EFEITO DO ESTRESSE TÉRMICO NO BEM-ESTAR DE VACAS LEITERAS


Em um país tropical como o Brasil o estresse térmico é algo que merece atenção especial, principalmente quando falamos em vacas leiteiras. As raças exploradas em nosso país nem sempre estão adaptadas ao nosso clima e se juntarmos a isso a falta de preocupação em providenciar conforto térmico a esses animais o resultado é uma grande perda produtiva sem contar que o comprometimento do Bem-Estar desses animais é enorme.

No território brasileiro a criação de gado a pasto ainda é o sistema mais comum, tanto para a produção de leite quanto para a criação de gado de corte. A oferta de forragem favorecida muitas vezes pelo clima além da extensão de terra dedicada a produção favorecem esse sistema.
É importante no entanto que os cuidados quanto ao conforto térmico não sejam esquecidos. O estresse térmico pode afetar o comportamento, fisiologia e reprodução de vacas leiteiras, comprometendo assim a eficiência de produção. 

Atualmente existem diversas ferramentas a fim de proporcionar maior conforto térmico aos animais, a mais simples delas eu diria é propiciar SOMBRA. 

No pasto é possível a implantação de Sistemas Silvipastoris e nas instalações, como o caso da sala de espera, cobertura e aspersores podem contribuir no controle da temperatura.  
Longos períodos de alta temperatura ambiente combinado com alta umidade relativa do ar comprometem a habilidade de vacas em lactação de dissipar o excesso de calor corporal. Vacas com alta temperatura corporal apresentam produção de leite e ingestão de matéria seca mais baixa além de produzir leite com menor eficiência, reduzindo assim a rentabilidade de fazendas leiteiras em períodos de clima quente e úmido  e ainda causar perdas econômicas consideráveis. 

A influência da temperatura ambiente na regulação da temperatura corporal e também no comportamento de animais criados a pasto pode ser visualizada quando se oferta sombra. O estudo realizado por Schütz et al.(2010), por exemplo, concluiu que quando áreas sombreadas maiores foram oferecidas a vacas leiteiras manejadas a pasto, os animais passaram mais tempo na sombra além de haver uma redução de interações agressivas nessa situação. No mesmo estudo o tempo ao redor da água aumentou quando pouca sombra foi oferecida aos animais.

Porém não só animais manejados a pasto sofrem de estresse calórico. Vacas leiteiras confinadas também sofrem com a influência de altas temperaturas e umidade. Overton et al. (2002) observaram ciclicidade temporal no comportamento deitada de vacas leiteiras em sistema free stall e documentaram uma relação inversa entre a proporção de vacas deitadas e a temperatura ambiente.

As estações também podem influenciar o comportamento de vacas leiteiras confinadas devido as diferenças de temperatura nos diferentes período do ano. O tempo gasto deitada na baia foi menor no verão que no inverno segundo REICH et al. (2010) e o estresse térmico pode estar relacionado a essa redução de tempo (COOK et al., 2007).

Cuidados com o conforto térmico de vacas leiteiras, independente do sistema de criação, devem ser, portanto, prioridade em propriedades leiteiras.







REFERÊNCIAS

COOK, N. B.; MENTINK, R. L.; BENNETT, T. B.; BURGI, K. The effect of heat stress and lameness on time budgets of lactating dairy cows. Journal of Dairy Science, v.90, p.1674–1682, 2007.

MARQUES, D. C. Criação de Bovinos. 7ed. Belo Horizonte, CVP, 2006. 586p.


OVERTON, M. W.; SISCHO, W. M.; TEMPLE, G. D.; MOORE, D. A.  Using time-lapse video photography to assess dairy cattle lying behavior in a free-stall barn. Journal of Dairy Science, v.85, p.2407–2413, 2002.

SCHÜTZ, K. E.; ROGERS, A. R.; POULOUIN, Y. A.; COX, N. R.; TUCKER, C. B. The amount of shade influences the behavior and physiology of dairy cattle. Journal of Dairy Science, v.93, p.125–133, 2010.

REICH, L. J.; WEARY, D. M.; VEIRA, D. M.; VON KEYSERLINGK, M. A. G. Effects of sawdust bedding dry matter on lying behavior of dairy cows: A dose-dependent response Journal of Dairy Science, v.93, p.1561–1565, 2010.




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CLAUDICAÇÃO EM VACAS LEITEIRAS CONFINADAS.


Bom dia galerinha!!!  

Hoje vou abordar um tema relacionado ao bem-estar de vacas leiteiras considerado de grande importância em sistemas de confinamento. 

Como sabemos o sistema de confinamento pode estar intimamente relacionado a incidência de doenças dependendo de sua configuração e manejo e uma das afecções mais importantes é claudicação ou manqueira. 

Fonte de dor e grande desconforto aos animais é de extrema importância o controle das doenças de casco, principalmente quando os animais são mantidos confinados. 

Segue então uma pequena revisão sobre o assunto. 

=D

            A configuração de um sistema de confinamento pode estar intimamente ligada a enfermidades de vacas leiteiras, sendo a claudicação um dos maiores problemas da produção intensiva de leite por ser causa de dor e desconforto para vacas leiteiras (WHAY et al., 1997). As perdas econômicas associadas à claudicação incluem redução na produção de leite, perda de peso, redução da fertilidade, custos de tratamento (NICOLETTI, 2004) e descarte involuntário de animais (GREEN et al., 2002; WARNICK et al., 2001; SPRECHER et al., 1997).
            Diversas etiologias são apontadas como responsáveis pelo desenvolvimento da claudicação em vacas leiteiras, sendo que fatores nutricionais, (NICOLETTI, 2004) anatômicos (OSSENT e LISCHER, 1998), ambientais (BERGSTEN, 2001), e fisiológicos (OFFER et al., 2000) podem estar relacionados a incidência dessa enfermidade.
            Estudos tem relacionado a configuração do free stall com a claudicação. O tipo de piso para locomoção e a área de descanso são fatores importantes que podem afetar a incidência da enfermidade em rebanhos confinados. Estudos mostram que superfície de cama mais espessa tem influência positiva na claudicação (BARBERG et al., 2007). Quando comparado ao free stall com ventilação cruzada ou natural o sistema compost apresentou menor prevalência de lesões de jarrete e claudicação (LOBECK et al., 2011).
O aceso a áreas com superfícies mais confortáveis, como o pasto (HERNANDEZ-MENDO et al., 2007) e baias com barra do pescoço mais permissiva (BERNARDI et al. 2009) pode melhorar a locomoção de vacas leiteiras.
A fim de manter a cama mais limpa várias propriedades mantêm a barra do pescoço em posição restritiva, porém esse posicionamento impede que as vacas permaneçam comas 4 patas na baia. A restrição do tempo com 4 patas na cama por sua vez, está relacionado com o aumento do tempo gasto empoleirada na baia (somente as patas dianteiras na baia) (TUCKER, et.al., 2005; FREGONESI et al. 2009) ou no corredor e outras partes do curral, onde o piso, muitas vezes de concreto se encontra úmido e sujo a maior parte do tempo (SOMERS et al., 2003).  Como o risco de claudicação aumenta quando os animais têm maior contato com o piso úmido e sujo. Fazendas que utilizam barra do pescoço mais restritiva podem apresentar maior proporção de vacas mancas em (FULWIDER et al. 2007).


Na minha opinião as configurações do sistema de confinamento são fator principal não só no controle da claudicação mas também na manutenção do bem-estar de vacas leiteiras. Portanto aqueles produtores que estão implantando um confinamento devem ir atrás dos resultados das pesquisas atualmente para saber qual a melhor forma de construí-lo e aqueles que já possuem confinamento instalado na propriedade devem ficar de olho nos índices zootécnicos a fim de diagnosticar precocemente problemas provindos da configuração do seu sistema.
A claudicação muitas vezes passa despercebida mas seus índices podem dizer muito sobre o bem-estar do seu rebanho.
As formas de controlá-la são diversas mas primeiramente é importante que o produtor mantenha uma rotina de escores de locomoção periódicos em sua propriedade e esse é um tópico que merece um post ;)

Essa figura demonstra o escore de locomoção em escala de 1 a 5 para vacas leiteiras:



Também é importante manter uma rotina de casqueamento. Visitas regulares do casqueador pode ajudar no controle das afecções de casco.


Mas acima de tudo é importante proporcionar um ambiente confortável para vacas leiteiras confinadas. Essa é, na minha opinião a forma mais efetiva de se reduzir índices de claudicação em um rebanho.





Tenham um ótimo feriado de Carnaval 

=D











REFERÊNCIAS:

BARBERG, A. E.; ENDRES, M. I.; SALFER, J. A.; RENEAU J. K. Performance and welfare of dairy cows in an alternative housing system in Minnesota. Journal of Dairy Science, v.90, p. 1575-1583, 2007. 

BERGSTEN, C. Effects of conformation and management system on hoof and leg diseases and lameness in dairy cows. Veterinary Clinical North American Food Animal Practice, v.17, n.1, p.23. 2001. 

BERNARDI, F., FREGONESI, J. A.; WINCKLER, C.; VEIRA, D. M.; VON KEYSERLINGK, M. A. G.; WEARY, D. M. The stall design paradox: Neck rails increase lameness but improve udder and stall hygiene. J. Dairy Sci. v.92, p.3074- 3080, 2009.

FREGONESI, J. A.; VON KEYSERLINGK, M. A. G.; TUCKER, C. B.; VEIRA, D. M.; WEARY, D. M.. Neck-rail position in the free stall affects standing behavior and udder and stall cleanliness. J. Dairy Sci. v.92, p.1979–1985, 2009

FULWIDER W’. K., GRANDIN, T., GARRICK, D.J., ENGLE,T.E., LAMM, W. D., DALSTED D. L., ROLLIN, B. E. Influence of Free-Stall Base on Tarsal Joint Lesions and Hygiene in Dairy Cows. Journal of Dairy Science, v.90, p. 3559-3566, 2007. 

GREEN, L.E., HEDGES V. J., SCHUKKEN Y. H. The impact of clinical lameness on the milk yield of dairy cows. Journal of Dairy Science, v. 85, n.9, p.2250-2256, 2002. 

HERNANDEZ-MENDO, O.; VON KEYSERLINGK, M. A. G.; VIEIRA, D. M.; WEARY, D. M. Effects of pasture on lameness in dairy cows. Journal of Dairy Science, v.90, n.1209-1214, 2007. 

LOBECK, K. M.; ENDRES, M. I.; SHANE, E. M.; GODDEN, S. M.; FETROW, J. Animal welfare in cross-ventilated, compost-bedded pack, and naturally ventilated dairy barns in the upper Midwest. J. Dairy Sci. v.94, p.5469–5479, 2011. 

NICOLETTI, J. L. M. Manual de Podologia Bovina. Ed. Manole Ltda. Barueri. 126 p.

OFFER, J. E., MCNULTY D., LOGUE D.N. Observations of lameness, hoof conformation and development of lesions in dairy cattle over four lactations. Veterinary Record, v.147, p.105–109, 2000.

OSSENT, P., LISCHER, C.. Bovine laminitis: The lesions and their pathogenesis. In Practice, v.20, p.415–426, 1998. 

SOMERS, J. G. C. J.; FRANKENA, K.; NOORDHUIZEN-STASSEN, E. N.; METZ J. H. M. Prevalence of Claw Disorders in Dutch Dairy Cows Exposed to Several Floor Systems. Journal of Dairy Science, v.86, p. 2082-2093, 2003. 

SPRECHER, D.J.; HOSTETLER, D. E.; KANEENE, J. B. A lameness scoring system that uses posture and gait to predict dairy cattle reproductive performance. Theriogenology, v.47, p.1179-1167, 1997. 

TUCKER, C. B., WEARY, D. M.; FRASER, D. Influence of neck-rail placement on free-stall preference, use, and cleanliness. J. Dairy Sci. v.88, p.2730–2737, 2005.

WARNICK, L. D.; JANSSEN, D.; GUARD, C. L.; GROHN, Y. T. The effect of lameness on milk production in dairy cows. Journal of Dairy Science, v.84, p.1988-1997, 2001. 

WHAY, H.R.; WATERMAN, A.E.; WEBSTER, A.J. Associations between locomotion, claw lesions and nociceptive threshold in dairy heifers during the peri-partum period. Veterinary Journal, v.154, n.2, p 155-61, 1997.