quinta-feira, 26 de setembro de 2013

COMO MARCAR OS ANIMAIS PARA OBSERVAÇÃO DE COMPORTAMENTO

Boa tarde!

Quem já trabalhou em um projeto sobre comportamento de bovinos (seja de leite ou corte) sabe bem do que vou falar aqui hoje =D

Quando se analisa o comportamento desses animais se tem 2 opções:

ou você os assiste 'ao vivo' por determinado tempo anotando periodicamente seu comportamento

Nesse caso tinha a impressão de que era ela quem me observava =D


ou,  no caso  das instalações possuírem sistema de câmeras, você pode gravar o comportamento dos animais pelo tempo necessário e assistir aos vídeos anotando o comportamento periodicamente.


Visão do programa de vídeo usado na análise de comportamento

É possível também fazer a análise contínua do comportamento em ambos os casos, mas como esse trabalho pode ser bem complicado, além de demandar muito tempo, a pesquisa aceita que se faça a leitura do comportamento a cada 5 ou 10 minutos, dependendo do propósito do trabalho.

Dessa forma para se obter o tempo referente a cada comportamento por dia é só calcular, por exemplo, quantos intervalos de 5 minutos os animais apresentaram tal comportamento nesse período.

Parece uma tarefa fácil né! masss não é não! Um ponto crítico nesses trabalhos é a identificação de cada animal, pois ela tem que ser beemmm clara.

Mesmo vacas da raça Holandesa, que tem em suas manchas uma "digital", podem ser difícil de identificar à distância ou pelo vídeo.

É por isso que se teve a idéia de marcá-las com símbolos de forma que facilitasse a identificação.


A figura a seguir mostra como se faz essa marcação sem correr o risco de perdê-la ao longo do experimento.





No entanto, a tinta para cabelo não é a única opção... 


Para aqueles que não querem as vacas marcadas por muito tempo, existem no mercado bastões ou bisnagas de tinta colorida que saem facilmente em pouco tempo...

Fonte: http://www.livestockmarkers.com/

Fonte: http://genex.crinet.com/page160/RevealLivestockMarker?print=1


O legal disso tudo é que, seja com a tinta de cabelo ou com os marcadores temporários, a marcação dos animais é o momento em que o pesquisador pode deixar a imaginação fluir, e a diversão é garantida! 

Dá até para fazer algumas homenagens...




Olha ai! No meu trabalho tinha uma vaca com a inicial de cada um da minha família S2



Espero que tenham gostado do assunto de hoje!






Abraço


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Curso Online: Manejo do estresse calórico para aumentar a produção leiteira e sua rentabilidade

Bom dia!!!!
Hoje venho divulgar um dos cursos online Agripoint
Gostei muito da programação!
Vale a pena conferir

Acessem o link para maiores detalhes e para fazer a inscrição:
Curso Online: Manejo do estresse calórico para aumentar a produção leiteira e sua rentabilidade


Por que participar deste curso?

Nas maiores regiões de produção leiteira no Brasil, os animais são acometidos por estresse devido às altas temperaturas em mais da metade do ano. Essas condições geram grandes perdas econômicas aos produtores de leite devido a redução de produtividade, fertilidade do rebanho e a baixa eficiência alimentar. Participando desse curso, profissionais e produtores de leite, entenderão os mecanismos pelos quais vacas são afetadas negativamente pelo etresse calórico e irão se familiarizar com diferentes meios de resfriamento utilizados para as diversas condições de clima e instalações. Os participantes também terão o conhecimento necessário para instalar e operar adequadamente os meios de resfriamento, medir e quantificar os benefícios de resfriarem suas vacas.

Programação:

Módulo 1 - A interação entra a vaca e o meio ambiente

• Zonas climáticas do mundo (relacionadas a produção leiteira).
• Diferentes fatores climáticos afetando o desempenho de vacas leiteiras.
• ITU ( Índice de temperatura e umidade).
• A zona termo-neutra de vacas leiteiras.
• O que é “estresse calórico” e como medi-lo?

Módulo 2 - O efeito do estresse calórico na fisiologia e comportamento de vacas leiteiras

• Produção de calor de vacas leiteiras.
• Mecanismos de dissipação de calor pela vaca leiteira.
• Mudanças comportamentais de vacas com estresse calórico.
• Mudanças fisiológicas de vacas com estresse calórico.

Módulo 3 - efeito negativo do estresse calórico no desempenho das vacas

• Produção de leite.
• Teor de gordura e proteína do leite.
• Qualidade do leite.
• Eficiência alimentar.
• Fertilidade.
• Saúde geral e do úbere.
• Desenvolvimento do tecido mamário na fase final da gestação.

Módulo 4 - Os diferentes meios de redução do estresse térmico (resfriamento de vaca)

• Resfriamento direto ( ventiladores e aspersores).
• Dimensionamento e posicionamento do projeto dentro da propriedade.
• Sistemas de resfriamento indireto ( nebulização e placas evaporativas em túnel e ventilação cruzada do tipo low profile (LPCV).
• Adaptando o sistema de resfriamento ao clima da fazenda e condições das instalações.
• Os benefícios de resfriar vacas na:
-Produção de leite.
-Composição do leite.
-Qualidade do leite.
-Consumo alimentar e eficiência alimentar.
-Fertilidade.
-Saúde geral e do úbere.
-Desenvolvimento do tecido mamário na fase final da gestação.

Módulo 5 – Aspectos aconômicos na redução do estresse calórico e avaliação da efetividade do resfriamento

• Gestão de processos, indicadores e metas.
• Perdas econômicas devido ao estresse calórico.
• Benefícios econômicos do resfriamento de vacas.
• Custo efetivo do resfriamento de vacas em fazendas de diferentes condições.
• Métodos de avaliação da efetividade do resfriamento:
-Métodos de curto prazo – temperatura corporal, taxa de respiração e taxa de ruminação.
-Métodos de longo prazo – índice de variação entre verão e inverno.



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Relaxar e coçar é só começar...

Todos que já tiveram a oportunidade de visitar uma fazenda onde o coçador automático rotativo para vacas é utilizado, com certeza chegaram a conclusão de que elas não gostam de se coçar... ELAS AMAM!

A alguns dias postei essa foto na página do face e pensei que seria legal trazer esse tema para ser discutido aqui no blog.

Afinal o que diz a pesquisa a respeito da utilização do coçador automático?!




Primeiramente é importante ressaltar que se coçar é um comportamento considerado normal para os animais de produção, como cavalos, porcos e bovinos.

Tal comportamento tem diversas funções mas a principal delas é manter a limpeza.
O ato de se coçar ajuda os animais a remover lama, fezes, urina, insetos e parasitas dos pêlos e assim reduz o risco de doenças.

As vacas leiteiras para se coçarem, normalmente usam a língua, ou coçam com os pés traseiros, ou ainda golpeiam com o rabo na tentativa de alcançar todas as partes do corpo.

No entanto algumas partes são inacessíveis para esses animais, como é o caso da cabeça, pescoço, costas e o quarto traseiro, e nesses casos elas vão usar qualquer objeto disponível no ambiente para alcançá-los.

Afinal tem coisa pior do que sentir coceira naquele lugar que não alcançamos?! rsrs

Como além de ser natural, esse comportamento parece ser importante para as vacas leiteiras o enriquecimento do ambiente pode trazer vantagens ao bem-estar desses animais.

É ai que entra a utilização do coçador automático pois ele permite que as vacas satisfaçam o comportamento natural de se coçarem mais facilmente, podendo assim reduzir o estresse devido ao tédio causado por ambientes de confinamento (De Vries et al., 2007).

O uso do coçador automático tem se mostrado benéfico segundo diversos estudos.

DeVries et al. (2007) testaram 72 vacas holandesas em lactação para o uso ou não do coçador automático.

Nesse estudo durante a primeira semana as vacas passaram por um período de adaptação ao novo grupo formado, na segunda semana o comportamento das vacas foi monitorado como controle e na terceira semana o coçador automático foi instalado nos currais e as vacas foram avaliadas quanto a sua utilização por 2 semanas.

Até 24h após a instalação do coçador automático 56,9% das vacas utilizaram o instrumento.

Após 7 dias 93% dos animais usaram o coçador e ao final do período de tratamento apenas 1 vaca não tinha utilizado o coçador.

Quando o coçador estava presente os animais passaram mais tempo se esfregando no coçador automático (6,76 min) do que na parede (0,44 min.) ou bebedouro (0,22 min.).

Além disso quando introduzidas ao coçador automático, as vacas aumentaram em 508% o tempo gasto se coçando e em 226% a frequência de eventos.

Os resultados desse estudo indicam que o coçador permite maior facilidade de alcançar os lugares inacessíveis e pode trazer benefícios ao bem-estar. Pelos resultados também é possível concluir que os animais gostam de usar o coçador automático.

O trabalho de Newby et al. (2012) apresentaram resultados interessantes, os autores testaram  o uso do coçador automático por vacas no pré e pós-parto.

A hipótese do estudo foi de que se o coçador automático pode trazer benefícios às vacas em lactação, disponibilizá-lo para vacas no pré e pós-parto poderia ajudá-las a lidar com o estresse relacionado a esse período.

Os resultados foram bastante interessantes.

No curral de pré-parto todas as vacas utilizaram o coçador automático com média de 31,5 + 17,7 min/d entre 72 e 48 horas antes do parto. Tempo esse bem maior do que o encontrado por De Vries et al. (2007) que foi de 5 a 7 min/d.

As vacas que tiveram o coçador automático no curral maternidade, curiosamente, lamberam os bezerros por mais tempo nas primeiras horas após o parto. Segundo os autores uma possível explicação para o fato é que o uso do coçador pode ter aumentado os níveis de ocitocina nesses animais e esse hormônio tem função na ligação materno filial em mamíferos.

(Particularmente achei muito legal esse resultado encontrado!)

O estudo de Miwa e Takeda (2013), por sua vez, mostrou que o modelo do coçador também é importante.

Os autores comparam o uso do coçador automático equipado com um dispositivo que o liga quando o animal o toca (como mostra a foto que postei no face) e o coçador estacionário (figura a seguir) por vacas leiteiras confinadas em free stall.


Foto tirada do site da De Laval.
Os resultados indicaram que o coçador automático foi utilizado por 44% dos animais por dia enquanto que o estacionário foi utilizado por 29% das vacas por dia.

O coçador automático foi mais usado para coçar o quadril e as patas traseiras enquanto que o estacionário foi mais usado para a cabeça e pescoço.


A conclusão geral é que independente do modelo o coçador pode trazer benefícios ao bem-estar de vacas leiteiras confinadas. Portanto aos produtores que pensam em investir no bem-estar dos animais, esse pode ser um investimento que vai agradar o rebanho.

E ai vai um videozinho para animar a noite =D








Abraço.


REFERÊNCIAS

DE VRIES, T. J.; VANKOVA, M.; Veira, D. M.; VON KEYSERLINGK, M. A. G. Short communication: Usage of Machanical Brushes by Lactating Cows. Journal of Dairy Science, v. 90, p. 2241-2245, 2007.

NEWBY, N. C.; DUFFIELD, T. F.; PEARL, D. L.; LESLIE, K. E.; LEBLANC, S. J. Short communication: Use of mechanical brush by Holstein dairy cattle around parturition. Journal of Dairy Science, v. 96, p. 2339-2344, 2012.

MIWA, K.; TAKEDA, K. Use of automatic and stationary cow brushes by dairy cows. In: 47° Congress of the ISAE, 2013, Florianópolis: Anais do 47° Congress of the ISAE. p.185.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Alojamento Individual prejudica o aprendizado reverso em bezerros leiteiros.

Olá galera me desculpe a demora para colocar um novo post aqui no blog...
a vida andou corrida nos últimos dias =D

Mas vamos lá! Dando sequência as pesquisas apresentadas no 47° ISAE hoje vou falar sobre o
trabalho do aluno da UFSC Ruã Daros na  realizado UBC.

Gostaria primeiramente de agradecer o Ruã por disponibilizar o material para postagem no blog.



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Alojamento individual prejudica o aprendizado reverso em bezerros leiteiros



        Os animais zootecnicos durante sua vida produtiva são frequentemente confrontados por mudanças; que podem ser simples como a mudança de um curral para outro, ou totalmente novas como adaptação a comedores automáticos, ordenhadeira robótica, dentre outras.
         O que a pesquisa vem tentando solucionar atualmente é se a criação em grupos pode ajudar os animais a lidar com esses desafios. A maioria dos produtores de leite criam seus bezerros individualmente a fim de evitar a transmissão de doenças, no entanto esse tipo de criação limita a oportunidade dos bezerros de brincar e realizar outros comportamentos sociais (Faerevik et al., 2006, Jensen et al., 1997). Em outros animais, estudos apontam que isolamento social prejudica o desenvolvimento cerebral e cognitivo e consequentemente a flexibilidade comportamental desses animais pode ser reduzida (ver revisão Fone & Porkess, 2008).

     Uma forma de se avaliar a flexibilidade comportamental é a utilização do APRENDIZADO REVERSO, que vai testar a capacidade do animal de inibir e modular os padrões de comportamento aprendidos anteriormente.


As perguntas a serem respondidas com a pesquisa realizada pelo Ruã foram: 


A criação em grupo afeta o desempenho cognitivo dos bezerros?


A criação em grupo pode afetar a aprendizagem de discriminação inicial e a aprendizagem reversa?



Animais: criados em grupo (figura a esquerda) e individualmente (figura a direita).


        MATERIAL E MÉTODOS


Os bezerros foram criados individualmente (n=7) ou em grupo (n=8) com outros bezerros e vacas.

Os bezerros foram treinados, usando uma tarefa de ir/não-ir, 2 vezes ao dia começando aos 5 dias de idade para discriminar entre duas cores em uma tela, branco e vermelho.

Semelhante ao que foi feito pela Heather (que vimos em uma postagem anterior), o treinamento realizado nesse estudo aconteceu da seguinte forma: quando tocavam a tela positiva ganhavam leite e quando tocavam a tela negativa ficavam 1 minuto sem contato com o treinador ou leite. Como mostra a figura a seguir: 




A fase de discriminação começava assim que os bezerros aprenderam a responder ao estímulo positivo (mais de 90% de respostas corretas - 20 estímulos positivos por sessão). 
Cada sessão consistia de 20 estímulos positivos e 2, 4 e 6 estímulos negativos, aumentando nas sessões de 1 a 3 consecutivamente. Para a fase de discriminação o critério de aprendizagem era definido quando o animal atingia 100% de respostas corretas para o estímulo negativo por 2 sessões consecutivas.
Então os estímulos de treinamento eram revertidos de forma que as telas tinham significados opostos da fase de discriminação ( como mostra a figura a seguir) e o treinamento era continuado por mais 13 sessões


Foi avaliado portanto o número de animais que conseguiram alcançar o critério de aprendizagem após o revertimento das telas, comparando os animais criados em grupo e individualmente

Segue o vídeo do treinamento

(é o mesmo que postei anteriormente mas tenho certeza que vocês não se cansarão de ver essa fofura!)







RESULTADOS

Na fase de discriminação os bezerros atingiram o critério de aprendizagem em 9.67 + 2.29 sessões em média, sem diferença significativa entre os tratamentos.



Na fase de aprendizagem reversa, 7 dos 8 bezerros criados em grupo foram capazes de alcançar o critério de aprendizagem (após 10.29 ± 2.43 sessões em media), no entanto apenas 1 dos 7 bezerros criados individualmente conseguiram alcançar o critério (após 10 sessões) (Fisher-exact test; P=0.008)







CONCLUSÕES



Os sistemas de criação podem afetar o desempenho cognitivo de bezerros leiteiros.
A criação individual prejudica a reversão de aprendizagem e pode levar ao desenvolvimento de rotinas de comportamento inflexível.



REFERÊNCIA
DAROS, R. R.; COSTA, J. H.; VON KEYSERLINGK, M. A. G.; HOTZEL, M. J.; WEARY, D. M. Individual housing impairs reversal learning in dairy calves. In: 47° Congress of the ISAE, 2013, Florianópolis: Anais do 47° Congress of the ISAE. p.88.

e-mail do autor para contato e dúvidas: rrdaros@gmail.com





sexta-feira, 19 de julho de 2013

Questionário sobre a percepção de bem-estar animal entre vegetarianos e não-vegetarianos,

Galera esse questionário é de um trabalho realizado pela  aluna da PUC Andressa Luiza Cordeiro, sob orientação da Prof.a Marta Fischer 


O trabalho tem por objetivo:  

"Avaliar se a percepção de bem estar animal é semelhante ou não para pessoas vegetarianas e não-vegetarianas."







Vamos colaborar com essa pesquisa preenchendo o questionário.

São dois questionários, uma para não vegetarianos e outro para vegetarianos. 

Por favor responda somente um deles.  

Qualquer dúvida ou comentários fique a vontade para mandar um e-mail

Após preenchido enviar o questionário para a Andressa no e-mail:
andressalcordeiro@hotmail.com

Muito obrigado! 
=D


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Viés cognitivo como um método de avaliação da dor após a mochação a ferro quente

Ainda falando sobre os trabalhos apresentados no ISAE os próximos 2 tópicos vão discutir sobre um tema aparentemente complicado (mas na verdade nem tanto!) e de muito valor para a Ciência do Bem-Estar Animal.

Os trabalhos dos alunos Heather Neave e Ruan Daros serão apresentados em 2 postagens. 
Começaremos então pelo trabalho da Heather Neave, aluna de mestrado da UBC (University of British Columbia).

Desde já gostaria muito de agradecê-la por disponibilizar o material para a postagem aqui no blog e também parabenizá-la pelo excelente trabalho!

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As questões de bem-estar animal são normalmente baseadas na suposição de que animais podem vivenciar subjetivamente estados emocionais e podem, portanto, sofrer ou vivenciar prazer.

No entanto seria possível avaliar as emoções dos animais?

Essa é uma meta importante da pesquisa sobre o bem-estar dos animais, principalmente para aqueles destinados a produção, pois esses, muitas vezes, são considerados pela sociedade como seres incapazes de demonstrar emoções.
Porém, aqueles que convivem com animais de produção diariamente com certeza afirmarão o contrário.

Mas como demonstrar através da pesquisa que os animais podem sim demonstrar emoções?

O estudo dos estados emocionais nos animais tem tradicionalmente usado mensurações comportamentais e fisiológicas. No entanto, o viés cognitivo é uma técnica recente que baseia-se no componente cognitivo da emoção para compreender e avaliar objetivamente os estados emocionais em animais.

O viés cognitivo é definido como a influência da emoção na cognição e se baseia no conceito de que seres humanos deprimidos interpretam estímulos ambíguos negativamente.

Para exemplificar melhor o conceito pense em um copo de água:

Indivíduos positivos interpretam o copo de água como meio cheio e indivíduos negativos interpretam o copo como meio vazio.

Como se deve aplicar então o conceito do viés cognitivo aos animais?
Essa técnica nos possibilita fazer perguntas como:

"Como os animais se sentem quando...."
  • Enriquecimento ambiental é adicionado / removido
  • O ambiente das instalações é imprevisível ou agitado
  • É liberado de restrição
  • É isolado do parceiro social


Se espera que várias emoções surjam de cada uma dessas manipulações, no entanto, curiosamente, sem nenhum foco sobre a dor.

A DOR é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidual real ou potencial.

Muitos procedimentos utilizados em fazendas envolvem dor, como é o caso da mochação, castração e corte de cauda.


Como a dor é um estado emocional claramente entendido, e seu componente emocional é importante também para os animais, estudar o viés cognitivo em relação a dor bastante interessante para se avaliar as emoções nos animais.

Esse foi, portanto, o objetivo do estudo da Heather:

Avaliar o efeito da mochação sobre o estado emocional de bezerros leiteiros na fase de dor pós-operatória.

Nesse intuito foram realizados 2 experimentos a fim de se responder as seguintes perguntas:

Experimento 1: Existe um viés cognitivo nesse caso?

Experimento 2: Se existe, o viés é somente um efeito do aprendizado?

A hipótese do estudo seria a de que os bezerros iriam apresentar um viés pessimista após a mochação, sem evidências de aprendizagem.

Foram utilizados 8 bezerros Holandeses, treinados a executar uma tarefa de discriminação visual, em cada experimento. 

TREINAMENTO

Metade dos animais foram treinados de forma que:


E para a outra metade as telas seriam:


O vídeo a seguir demonstra o treinamento aplicado aos animais:




Após esse treinamento os animais foram apresentados a telas com cores intermediárias. 


A aproximação dessas telas foi mensurada horas antes e depois da mochação nos 2 experimentos.

Todos os animais receberam sedativo e lidocaína antes da mochação em ambos os experimentos.

EXPERIMENTO 1

A mochação resulta em um viés de juízo negativo durante a dor no pós-operatório?

No experimento 1 os animais eram mochados (2 cornos) e avaliados segundo o teste descrito anteriormente.


RESULTADOS

EXPERIMENTO 2

O viés é devido aos bezerros aprenderem a não responder as telas ambíguas?

No segundo experimento a mochação e os testes eram feitos da seguinte forma, os animais eram testados antes e depois da mochação de um corno e após 4 dias eram testados antes e depois da mochação do corno remanescente, como mostra a figura a seguir. 


RESULTADOS




CONCLUSÕES

Bezerros responderam mais negativamente para estímulos visuais ambíguos após mochação a ferro quente.

O viés negativo não é devido à aprendizagem: bezerros voltaram ao valor inicial antes da segunda mochação.

A segunda mochação teve um forte viés negativo, indicando um efeito potencial de experiência anterior.


REFERÊNCIA

NEAVE, H. W.; VON KEYSERLINGK, M. A. G.; WEARY, D. M. Dairy calves show negative judgement bias following hot-iron disbudding. In: 47° Congress of the ISAE, 2013, Florianópolis: Anais do 47° Congress of the ISAE. p.87.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

MOTIVAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS PARA ACESSO AO PASTO

Hoje vou escrever sobre mais um projeto apresentado no ISAE que traz uma abordagem bastante interessante sobre a preferência pelo pasto por vacas leiteiras

O trabalho foi realizado na UBC (University of British Columbia), pela colega Andressa Amorim Cestari, aluna de doutorado na UEL.



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O acesso ao pasto é tido como importante para o bem-estar de vacas leiteiras criadas em confinamento e estudos utilizando testes de preferência vêm mostrando que esta preferência pode ser parcial, variando de acordo com o clima, oferta de comida, hora do dia e até mesmo dependendo da experiência prévia dos animais.
 No entanto até o momento ninguém tinha tentado "perguntar" às vacas o quanto elas estão dispostas a "pagar" para ter acesso ao pasto. Se isso for importante para elas, assim como nós, elas seriam capazes de "pagar" altos preços para ter um tempo na pastagem certo?!
 Foi essa a pergunta que a Andressa tentou responder em seu trabalho. Usando um portão com peso, que aumentava periodicamente, a força de motivação para acesso ao pasto foi mensurada.
O trabalho foi realizado em duas etapas, uma onde os animais foram treinados a abrir o portão e em seguida se testou a motivação por comida fresca e a outra onde a motivação pela pastagem foi testada utilizando-se o mesmo portão.
Os resultados foram bem interessantes. Confiram! 


ANIMAIS


24 vacas Holandesas, com  220,5 ± 14,4 dias em lactação (média ± desvio padrão) e produção de 30,0 ± 3,8 L leite/dia foram distribuídas aleatoriamente a 4 grupos (6 vacas cada). Cada um desses grupos foi testado separadamente em 2 experimentos.


DELINEAMENTO EXPERIMENTAL


EXPERIMENTO 1





No Experimento 1 as vacas tinham que empurrar um peso de 7 Kg anexado a um portão para terem acesso à comida fresca. Uma vez que as vacas eram treinadas para essa tarefa o peso foi aumentado diariamente (em 7 Kg) até que elas não demonstrassem interesse em realizar a tarefa.





EXPERIMENTO 2






No Experimento 2 as vacas foram treinadas a acessar o pasto com o mesmo portão e o grau de motivação foi medido em um teste de livre escolha. Outra vez o peso era aumentado (7 kg/dia) até que elas não demonstrassem mais interesse em realizar a tarefa.


Esse vídeo mostra a utilização do portão para acesso ao pasto.





RESULTADOS


As vacas empurraram  36,54 ± 14,09 kg  para acessar a comida enquanto que para acessar o pasto empurraram 31,63 ± 17, 54 kg (t22 = -1,34; P = 0,1958).
Durante as horas claras do dia as vacas passaram 76,01 ± 30,55 %  do tempo do lado de fora (o tempo restante estavam dentro do free stall). 
Enquanto no pasto as vacas passaram 40,66 ± 19,42 % do tempo pastando.

A figura a seguir mostra a diferença do peso no portão, para cada vaca, entre os testes de motivação para acesso à comida fresca e para acesso ao pasto. O primeiro ponto, por exemplo, marca cerca de 10 kg acima do eixo X, o que nos diz que esta vaca trabalhou mais para ter acesso ao pasto do que para ter acesso à comida; ou que empurrou no portão em média 10 kg a mais para ter acesso ao pasto do que para ter acesso à comida fresca após a ordenha. 




CONCLUSÃO


Os resultados encontrados demonstram que vacas leiteiras normalmente confinadas são tão motivadas a acessar o pasto quanto são para ter acesso a comida fresca após a ordenha.


REFERÊNCIA



CESTARI, A. A.; FREGONESI, J. A.; WEARY, D. M.; VON KEYSERLINGK, M. A. G.
 Motivation for access to pasture in dairy cows. In: 47° Congress of the ISAE, 2013, Florianópolis: Anais do 47° Congress of the ISAE. p.115.


A festa do primeiro dia no pasto =D